Poluição por plásticos já é tão dramática quanto a crise climática, apontam pesquisas

A crise do plástico atingiu a mesma magnitude da crise climática, segundo pesquisadores de várias partes do mundo. Foram 475 milhões de toneladas produzidas em 2022, aponta o mais recente relatório publicado na revista científica The Lancet, em 4 de agosto passado. O pior: só 9% dessa quantidade excessiva é reciclada. O resto é queimado, aterrado ou descartado no ambiente.

Por isso, o dia 14 de agosto, instituído como Dia de Combate à Poluição,  é uma grande  oportunidade para refletir não só sobre o macrocenário da preservação do meio ambiente e da adoção de práticas sustentáveis, mas também sobre micropoluentes que estão causando enormes danos à saúde humana e ao Planeta.

A projeção dos estudiosos é de que a produção de plásticos triplique até 2060. Só no Brasil já são 11 milhões de novas toneladas por ano, nos colocando como o 4º maior produtor do mundo, aponta um estudo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) de 2019.

E o problema ultrapassa as mais de 3 milhões de toneladas de resíduos sólidos que vão para rios e mares todos os anos, quantidade suficiente para cobrir mais de 7 mil campos de futebol. Cientistas da NYU Langone Health, nos Estados Unidos, estimam que cerca de 10% das mortes por doenças cardíacas entre adultos de 55 a 64 anos podem ser atribuídas aos ftalatos — compostos químicos usados para aumentar a durabilidade e a flexibilidade dos plásticos.

Muito plástico vaza ainda para o ambiente em forma de microplásticos, encontrados no ar e até dentro dos corpos humanos. Ao contrário do papel, vidro, aço e alumínio, plásticos quimicamente complexos não podem ser facilmente reciclados, advertem as pesquisas. Cerca de 99% dos plásticos são derivados de combustíveis fósseis. O refino e transformação desses combustíveis fósseis em produtos plásticos, como embalagens, têxteis, eletrônicos e materiais de construção, liberam bilhões de toneladas de gases de efeito estufa.

Reduzir a produção

Daí que a solução não está apenas na separação de lixo e no descarte adequado de resíduos, mas principalmente no consumo consciente e na limitação da produção – algo que as grandes corporações industriais relutam em aceitar.

“A poluição já está no nosso prato, na água que a gente bebe e no ar que respiramos. Reciclar é muito importante, mas não é suficiente. Então, não adianta só separar o lixo. A gente precisa reduzir a produção lá no começo”, diz Ana Maria Luz, presidente do Instituto Gea – Ética e Meio Ambiente, que há 25 anos trabalha com educação ambiental e práticas sustentáveis.

Os dados mais impactantes do estudo publicado na revista The Lancet indicam que micro e nanoplásticos (MNPs) estão presentes no ar, água, solo e alimentos, além de tecidos humanos como sangue, leite materno, placenta, pulmões, cérebro e coração. Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis: risco aumentado de aborto espontâneo, prematuridade, baixo peso, malformações, prejuízos neurológicos, problemas respiratórios e câncer infantil. Nos adultos, há risco elevado de infertilidade, câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.

Portanto, os plásticos transcendem a questão ambiental e se tornaram sério problema de saúde pública.

Fonte: Comissão Lancet de Poluição e Saúde

Imagem: pixabay.com

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