Do plástico ao futuro: inovações em embalagens de alimentos levam a um planeta sustentável

O Dia Mundial da Alimentação, celebrado neste 16 de outubro, leva a refletir não só sobre dietas saudáveis, mas também sobre como os alimentos são embalados. Isso mesmo! As embalagens têm se tornado importantes para repensar as formas de consumir e descartar alimentos e bebidas, contribuindo, assim, para reduzir desperdícios e a poluição ambiental.

Para se ter ideia, um único tipo de material para a produção de recipientes – o plástico — acumula-se nos oceanos, representando alarmantes 60% a 80% do lixo marinho. A produção global de plástico ultrapassou 400 milhões de toneladas em 2022, com menos de 9% sendo reciclado. Embalagens plásticas representam 26% de todo o plástico produzido, sendo 95% descartadas após um único uso.

Por isso, avançam pesquisas em torno de alternativas eco-inovadoras, entre as quais a adoção de embalagens ativas, inteligentes ou compostáveis. Grandes marcas europeias e brasileiras, por exemplo, estão comprometidas em tornar 100% de suas embalagens reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até este ano de 2025, conforme relata estudo que acaba de ser publicado na plataforma científica Springer Nature.

Soluções na própria natureza

Segundo a publicação, há duas vertentes em desenvolvimento na indústria visando ao menor impacto ambiental: embalagens sustentáveis (aquelas que utilizam materiais renováveis, recicláveis ou biodegradáveis) e embalagens circulares, que seguem princípios da Economia Circular (EC). A EC promove a reutilização, reciclagem e compostagem, além de valorizar resíduos agroindustriais como matéria-prima.

Isso significa desenvolver embalagens que não só protegem alimentos, mas também preservam recursos naturais. Segundo o artigo, as inovações são classificadas em três tipos principais: embalagens ativas, inteligentes e compostáveis. Vale a pena conhecê-las:

  • Embalagens ativas contêm compostos que interagem com o alimento, prolongando sua vida útil e protegendo contra contaminações. Atuam com funções antimicrobianas, antioxidantes, eliminam oxigênio e etileno, e liberam dióxido de carbono.
  • Embalagens inteligentes monitoram o frescor e a qualidade dos alimentos por meio de sensores e indicadores. Elas fornecem dados sobre temperatura, localização e segurança, permitindo rastreabilidade e controle em tempo real.
  • Embalagens compostáveis são feitas de materiais biodegradáveis, geralmente de origem vegetal ou animal, que se decompõem naturalmente por ação de microrganismos.

A natureza, como sempre, é a grande fonte inspiradora de estudos e matérias-primas. O artigo da Springer Nature cita possibilidades de embalagens feitas com biomateriais recicláveis derivados de resíduos orgânicos, como cascas de frutas, fibras vegetais e subprodutos animais. Há também bioplásticos de base biológica, totalmente biodegradáveis, com propriedades semelhantes aos plásticos convencionais. E há ainda embalagens feitas com algas, fungos e bactérias, que aceleram a degradação e oferecem propriedades antimicrobianas.

Como se vê, há opções promissoras do ponto de vista da sustentabilidade, já que a perda de alimentos (calculada em 30%) contribui para emissões de carbono, insegurança alimentar e esgotamento de recursos naturais.

Fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s42452-025-07788-3

Menos de 9% do plástico produzido no mundo é reciclado (Imagem Canva)

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