Processadores, placas-mãe, cabos e bobinas, chips e blocos de alumínio, plástico e até ouro fazem parte da imensa cadeia de componentes dentro de eletroeletrônicos como computadores, TVs e celulares. Cada item tem destinação específica para reciclagem, assim como valor de venda, por isso não deve ser tratado como uma sucata qualquer, mesmo porque há potencial risco de contaminação de não houver tratamento adequado.
Conhecimentos como esses foram repassados em curso realizado pelo Instituto Gea para cinco cooperativas de Cuiabá reunidas, nos dias 18, 19 e 20 de fevereiro, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Trata-se do Projeto ReciclaON, realizado com apoio financeiro do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal e que busca levar orientação técnica e conscientização sobre a importância do descarte correto, dos riscos ambientais e do potencial comercial dos resíduos eletrônicos.
O curso orientou sobre manipulação segura e redução dos riscos ao homem e ao meio ambiente dos equipamentos eletrônicos, que têm materiais recicláveis mas também perigosos, como lâmpadas e cartuchos de tinta de impressora. Participaram 10 alunos e três multiplicadores – duas estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso, parceira do projeto, e uma representante da Ancat (Associação Nacional dos Catadores).

As cooperativas participantes foram COOREPAM, COOPUNIÃO, ASSCAVAG, COOPERCBA e COOPONE. As aulas envolveram tanto a parte teórica, contendo apostilas e dinâmicas em grupo, como experiências práticas por meio da desmontagem de equipamentos (foto acima).
Contaminação do solo
Os alunos aprenderam a identificar componentes eletrônicos, a classificá-los e a atribuir-lhes valor de venda. Na parte da segurança, foram realizadas três experiências demonstrativas. A primeira simulou a contaminação do solo por meio da chuva, a segunda mostrou a transferência de contaminantes pelo atrito com materiais eletrônicos e a terceira evidenciou a liberação de substâncias tóxicas pelo seu aquecimento. Uma das dinâmicas ilustrou a transferência de contaminantes ao longo da cadeia alimentar, concluindo que esses poluentes acabam retornando ao ser humano.
Foram discutidas ainda questões de segurança na desmontagem de eletrônicos e o impacto econômico da remanufatura, que pode aumentar a rentabilidade das cooperativas. Além disso, foram apresentados EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) como óculos, máscaras e luvas, bem como as ferramentas que devem ser utilizadas no processo.
O ReciclaON pretende levar educação para a destinação socioambiental de resíduos eletroeletrônicos às 26 Capitais brasileiras e Distrito Federal. A USP (Universidade de São Paulo) também é parceira do projeto, por meio do LASSU (Laboratório de Sustentabilidade da Escola Politécnica).
